segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mafalda Sacchetti

A escolha de... Mafalda Sacchetti

» Mafalda Sacchetti Foto: Mário Galiano

 

Filha do músico Paulo de Carvalho e neta da escritora Rosa Lobato de Faria, a vida artística só poderia estar no caminho desta cantora de 33 anos, que lança em breve o segundo álbum.

 

Mafalda Sacchetti nasceu em Lisboa, a 12 de Março de 1977, no seio de uma família ligada à música e à escrita: o pai é o músico Paulo de Carvalho, a sua avó materna era a romancista, guionista e letrista Rosa Lobato de Faria. Frequentou o Liverpool Institute for Performing Arts, estudou no Conservatório de Música de Lisboa e tirou ainda o curso superior de Design de Interiores na Fundação Ricardo Espírito Santo. Mas a música sempre foi a sua grande paixão e depois de ter lançado o primeiro álbum, Imprevisível, em 2004, prepara actualmente o segundo, que será, adianta, bastante mais maduro e pessoal, mas com o mesmo tipo de sonoridade.
O Bar
Onda Jazz

Se queremos encontrar os grandes cantores e músicos "da nossa praça" vamos ao Onda Jazz, em Lisboa. Apesar do nome, não é só jazz que se ouve neste espaço, mas é garantidamente boa música, tocada genuinamente com muito gosto/gozo. Quem nos recebe faz-nos sentir parte de uma família e é isso mesmo que este bar passa a ser.
O Concerto
Nine Inch Nails

Dos Nine Inch Nails, em qualquer parte do mundo. É quase inexplicável a quantidade de sensações que consigo ter numa só música em cada concerto. Desde a composição à luz, passando pelo contraste de sonoridades e a profundidade das letras, esta é, definitivamente, a minha banda de eleição. Os concertos de Nine Inch Nails são dos poucos que me deixam nervosa minutos antes de começarem e quando acabam tenho a sensação de ter levado uma injecção de adrenalina e de me ter perdido durante umas boas horas. Fazem-me sentir livre e viva.
O Restaurante
Vila Lisa, Mexilhoeira Grande

O segredo deste restaurante é a simplicidade. Desde a decoração à forma informal como somos recebidos e, finalmente, à comida. Por fora é uma casinha caiada pela qual ninguém dá nada se não souber o que vai lá dentro. Mas por dentro as paredes estão forradas de quadros pintados pelo próprio Vila, misturados com pratos de loiça regional, ramos de louro e abróteas arrepiadas. Tenho o privilégio de lá ir desde sempre e, como tal, sou recebida como se estivesse em casa.
A Peça de teatro
"As Encalhadas"

Uma peça leve, mas bastante divertida que faz rir do princípio ao fim. As Encalhadas é uma peça indicada para homens e mulheres de todas as idades ou estados civis que queiram ficar bem dispostos. As músicas têm letras deliciosas, estão bem construídas e ficam no ouvido. As actrizes - Helena Isabel, Maria João Abreu e Rita Salema - fazem a festa de uma forma surpreendente. Em digressão.

Blaxploitation

Blaxploitation, a força dos negros

 

O cinema norte-americano demorou para dar espaços aos negros, mas quando isso aconteceu, surgiu uma explosão de criatividade.

negro racismo blaxploitation

O “cinema negro”, por excelência, sempre foi marginalizado. Em especial nos Estados Unidos, onde somente em 2002 uma atriz e um ator negro conseguiram abiscoitar os melhores prêmios na principal cerimônia do país, o Oscar. Se levarmos em conta ainda o cinema europeu, o panorama é mais desolador. Nenhum diretor de renome e raríssimos atores. No Brasil, apesar do renascimento do cinema, não há nenhum diretor negro, ainda que bons atores tenham surgido, como Lázaro Ramos. O cinema africano, apesar de existir, raramente atinge um público abrangente, sendo relegado aos festivais hipermega-alternativos para cinéfilos convictos e dependentes. Ainda que nomes importantes como Abderrahmane Sissako ganhem financiamento europeu para produzir seus filmes e apresentem um talento indiscutível, é muito pouco para o continente africano.

Para se conseguir alguma consistência do cinema negro, não resta dúvida que devemos olhar para a produção de Hollywood, que desde a década de 70 percebeu que o filão era muito bom e importante para se desprezar. Se em The jazz singer, de 1927, um ator branco pintou o rosto de negro, na década de 60 Sidney Poitier tornou-se um ícone de respeito, com grandes atuações em fitas como Advinhe quem vem para jantar? e Ao mestre, com carinho, ambos de 1967, Poitier abriu portas. Com a liberdade civil ganhando cada vez mais força nos EUA, nada mais natural que a década de 70 pudesse ser o cenário ideal para que os negros fizessem uma grande invasão.

Junto com essa conquista nos cinemas, na música, os negros ganhavam cada vez mais espaço com Funkadelic, the Impressions, Sly`s and Family Stone e até mesmo James Brown, que produziam músicas cheias de mensagens políticas e sociais, junto com todo o ritmo. As paradas de sucesso provavam que havia demanda para “música com mensagem”. Natural que os negros buscassem no cinema uma resposta similar.

Foi o que aconteceu. Ainda que conhecido como movimento “blaxploitation”, a indústria cinematográfica se deu conta de que poderia faturar bastante fazendo filmes dirigidos à comunidade negra e também para apreciadores de cinema. Surgiu uma estética interessantíssima, que hoje ecoa em trabalhos de diretores como Quentin Tarantino e até mesmo no modernete David Fincher.

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Cores berrantes, perseguições incansáveis, humor ralo e chulo, heróis de caráter duvidoso, violência, violência e mais um pouco de violência era as marcas registradas do blaxploitation. Com todo este jeitão rebelde e tosco por natureza, o cinema negro norte-americano começava a sair do limbo para ganhar força de movimento cultural. A excelente Pam Grier marcou época com suas personagens-heroínas sexys sempre de batom rosa e calças justíssimas. Basta ver filmes como The mack, Foxy Brown ou Superfly para render homenagens à Pam. Beyoncé Knowles prestou seu tributo ao atuar como Foxxy Cleopatra em Austin Powers e o homem do membro de ouro. Para quem nunca viu a atuação de Pam Grier na década de 70, a personagem de Beyoncé mostra muito bem como era.

Além de Grier, Ron O`Neil, Richard Pryor, Max Julien, Antonio Fargas e Melvin Van Peebles eram os caras. Apesar de toda a evidente apelação com excesso de violência e sexo, os filmes marcaram um jeito de fazer cinema de baixo orçamento e voltado somente ao entretenimento banal. O durão Richard Roundtree encarnando Shaft faz a prova final do gênero. Mas mais importante do que tudo isso, foi que o blaxploitation abriu portas para gente como o genial Spike Lee e seus filmes protesto da década de 80. Denzel Washington, Jada Pinkett-Smith, Halle Barry e Mario Van Peebles, todos, sem dúvida alguma, devem agradecer o estilo da década de 70 em suas maneiras de atuar. Também é nítido a influência do blaxploitation na música hip-hop da atualidade. Todos os elementos estão ali, basta ver um clipe de qualquer rapper.

Para conhecer um pouco mais do blaxploitation, vale a pena dar uma fuçada nas locadoras atrás dos filmes do gênero. Segue ai uma listinha que você pode usar como referência para auxiliar sua busca. Não se preocupe muito com o enredo, basicamente ou são comédias grosseiras ou são policiais violentíssimos. Ou, às vezes, são os dois. Talvez seja um pouco difícil encontrar no Brasil, mas nada que o site da Amazon não resolva.

Shaft, de Gordon Parks, EUA, 1971
Superfly, de Gordon Parks, EUA, 1972
Black mama, white mama, de Eddie Romero, EUA, 1972
The mack, de Michael Campus, EUA, 1973
Coffy, de Jack Hill, EUA, 1973
Foxy Brown, de Jack Hill, EUA, 1974
Cleopatra Jones and the casino of gold, de Charles Bail, EUA, 1975
Cooley high, de Michael Schultz, EUA, 1975
Friday Foster, de Arthur Marks, EUA, 1975

sábado, 19 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A beleza num olhar

Qual a beleza de um olhar? Através de um conjunto de fotografias macro, podemos admirar a verdadeira beleza e complexidade do olho humano. O padrão aparentemente simples e uniforme, quando observado mais de perto, transforma-se e revela-nos uma complexidade de cores e formatos verdadeiramente extraordinários.

Qual o olhar que mais o seduz?

 

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Amálgamas imagéticas

Amálgamas imagéticas: O Facebook pelos olhos de Phillip Maisel

Imagens, imagens, imagens. O olhar de cada um de nós é bombardeado, sem cessar, pela panóplia de imagens com que o quotidiano é construído. Seja em publicidade pela rua, na televisão ou no computador, temos acesso a tantas fotografias e imagens que perdemos a capacidade de as processar na íntegra. Phillip Maisel, fotógrafo conceptual, entrou nos álbuns fotográficos do Facebook e apresenta-nos uma perspectiva diferente daquela a que estamos habituados…

Facebook Phillip Maisel

Se abrir um qualquer álbum de imagens do Facebook e passar incessantemente as fotografias à sua frente, o que obtém? Talvez um borrão de momentos especiais e outros quotidianos. Um borrão de pessoas, locais e memórias. Esta foi a experiência feita pelo fotógrafo conceptual Phillip Maisel que, após ver fotografias seguidas de mais e mais fotografias, ficou fascinado pela velocidade com que é possível visualizar milhares de imagens através do Facebook.

Desta conclusão resultou o trabalho fotográfico “A more open space” ("um espaço mais aberto", em português), intitulado a partir de uma citação do criador do Facebook, Mark Zuckerberg. Ao todo, vinte imagens são o efeito da sobreposição múltipla de vinte álbuns de imagens no Facebook. As imagens obtidas, sobrepostas e indefinidas, mostram-nos vidas que não são as nossas e que até já poderiam ter passado pelos nossos olhos, à velocidade de um relâmpago.

«Esta é a minha perspectiva sobre a reacção que tive a este afluxo maciço de fotos que todos vivemos hoje em dia», explica Maisel. O trabalho reflecte, à vez, o próprio processo humano de processamento das imagens com que se depara, mas também questiona as noções de privacidade e as fronteiras entre o que pertence à esfera do íntimo e o que deve ser mostrado na esfera pública.

Facebook Phillip Maisel

Facebook Phillip Maisel

Além de espicaçar o lado curioso e voyeur de cada um de nós, as fotografias das redes sociais, muitas vezes desprotegidas dos olhares anónimos, são a porta de entrada para mundos íntimos e familiares aos quais não pertencemos. Pelo menos antes do mundo da Internet nos ter feito entrar nestas vidas, quase de forma legítima.

O próprio Maisel reconhece que não sabe bem qual a opinião que tem sobre a privacidade e a Internet, apesar do fascínio que a questão lhe suscita. «Cada vez que encontro as fotografias de férias de um estranho no Facebook ou fotografias de um bebé colocadas por um pai que nunca conheci fico um pouco admirado de ter acesso a momentos tão íntimos e privados sem que haja um mínimo esforço da minha parte», comenta.

Facebook Phillip Maisel

Para fazer este trabalho, Maisel utilizou a técnica fotográfica de longa-exposição perante um ecrã de computador onde corriam, em contínuo, fotografias de álbuns do Facebook. Cada imagem obtida tem o nome do álbum do Facebook que lhe deu origem. O artista usou os seus próprios álbuns digitais, assim como os de amigos e de perfeitos estranhos. Como inspiração, Maisel aponta o trabalho de Idris Khan e Jon Rafman que lhe fizeram pensar, respectivamente, na compressão do tempo numa só imagem e nas potencialidades da Internet como fonte de material criativo.

Facebook Phillip Maisel

A mancha de diferentes fotografias e, por consequência, de diferentes vidas é também um novo olhar perante a realidade do mundo digital e das recordações efémeras. Quando parte da nossa vida é construída no ecrã do computador, o que acontece quando a máquina é desligada ou quando a conta do Facebook deixar de ser usada? Perdemos uma parte de nós?

E o que acontece ao borrão de fotografias das férias daquela tia (que não vemos pessoalmente há anos) que fizemos correr no ecrã em meros segundos? Será que as esqueceremos no meio do turbilhão contemporâneo de imagens ou ficarão guardadas, num cantinho da memória, longe de um qualquer botão “Off”?

 

Facebook Phillip Maisel

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Castidade

Castidade

Tens a alvura das flores da laranjeira
Perfume exalado de noivas virginais.
Teu porte de fidalga altaneira
Num corpo de desejos angelicais.
Meu verso descompassa em teu olhar
Transparente e puro como cristal.
Quer haurir o que prometes sem falar
Mas, emudece ante teu vulto de vestal
A chama sagrada que mantens acesa
Arde em minha poesia de forma velada
Tu, que és detentora de toda a realeza
Dá-me o céu sem dar-me nada.

-Helena Frontini-

John Maclaughlin

domingo, 13 de fevereiro de 2011