segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Palácio da Pena

Palácio da Pena: um castelo de príncipes e princesas

 

O palácio da Pena é um dos ex-líbris da região de Lisboa. Situado no cimo da serra de Sintra, foi mandado construir pelo Rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo Gotha. Em 1839, as ruínas de um antigo convento e a zona envolvente maravilharam o monarca, que aí mandou construir a sua residência de Verão. Inspirado na arquitectura de outros castelos europeus, e com uma decoração exótica e extremamente detalhista, o Palácio Nacional da Pena é o mais completo exemplar do Romantismo português.

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Palácio da Pena, entrada principal.

Em 2007 foi eleito uma das 7 maravilhas de Portugal. No entanto, o Palácio Nacional da Pena há muito encanta quem o visita. Seja pela imponente arquitectura, pela exótica decoração, que mistura vários estilos, ou pelo parque que o rodeia, este edifício constitui uma das mais belas construções da região de Lisboa. A 4,5km do centro histórico de Sintra, foi projectado pelo arquitecto Barão de Eschwege e decorado pelo próprio Rei D. Fernando II.

De convento em ruínas a palácio

Em 1839, o monarca visitou as ruínas de um antigo convento que tinha sido destruído por um raio e pelo (grande) terramoto de 1755. Mandado construir por D. Manuel I, o Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena encantou D. Fernando II, que então o adquiriu e transformou na sua residência de Verão.

Para dirigir a restauração do edifício, contrata o Barão de Eschwege, um arquitecto alemão que trabalhava em Portugal como engenheiro de minas. O projecto do palácio era inspirado noutras construções europeias, nomeadamente nos castelos da Baviera. Mas, ao nível da decoração e dos detalhes, foi o gosto do monarca que o “revestiu”. Deve-se à sua personalidade eclética e romântica a mistura de arcos, torres medievais, traços de inspiração gótica e árabe que o caracterizam.

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Palácio da Pena, entrada principal.

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Palácio da Pena.

Após a morte e D. Fernando, o palácio ficou entregue à sua segunda mulher, Elisa Hendler (Condessa de Edla). Na época, este facto causou grande polémica, dado que publicamente o palácio era já considerado um monumento. Elisa Hendler acabou por aceitar um acordo com o Estado português – que lhe ofereceu uma proposta de compra – e reservou para si apenas os aposentos do “Chalet da Condessa”. O Palácio da Pena passou a partir daí a ser Património Nacional.

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Palácio da Pena, Tritão.

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Palácio da Pena, Tritão.

Um castelo de fantasia e exotismo

A construção deste palácio foi idealizada para o Parque da Pena, uma vasta área verde salpicada de enormes rochedos que o rodeia. São mais de 85 hectares de jardins, lagos, pontes e pequenas estufas e viveiros com diversas flores e árvores vindas de todo o mundo. Do interior, é possível ver-se uma das obras de arte: uma escultura de um guerreiro.

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O palácio está dividido em quatro áreas: as muralhas que o cercam, com duas portas; o antigo convento restaurado juntamente com a torre do relógio, no topo da colina; o pátio com a sua parede de arcos; e a zona palaciana, caracterizada pelo seu interior em estilo cathédrale, com mobiliário e decorações típicas da época.

Do antigo convento foram conservados os claustros, a capela e alguns anexos que serviram de base para a reconstrução. A sua adaptação, realizada com uma junção de vários estilos e influências góticas, mouriscas, neo-manuelinas e árabes, resultou num ambiente de um autêntico cenário “das mil e uma noites”, nas palavras de Richard Strauss: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o castelo do Santo Graal”.

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A fachada principal e a capela foram revestidas de azulejos. Todas as torres (exceptuando a do relógio) receberam cúpulas, baseadas essencialmente em obras como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos ou o Convento de Cristo. Os aposentos do palácio foram também decorados com azulejos, para além de inúmeras pinturas murais em trompe-l’oeil e peças únicas de colecção, espalhadas pelas várias salas existentes.

O “Chalet da Condessa”, mandando construir como zona de lazer para o rei-consorte e a sua mulher, está parcialmente destruído. Tendo sido inspirado nos chalés dos Alpes, estava rodeado por um jardim e o seu revestimento exterior simulava madeira (algo comum em finais do século XIX). O processo de recuperação começou em 2007 pela empresa Parques de Sintra – Monte da Lua e a primeira fase de trabalhos terminou há poucos meses.

Desde a implantação da República, em 1910, o Palácio da Pena tornou-se museu e passou a ser chamado Palácio Nacional da Pena. Digno de um conto de príncipes e princesas, representa o mais belo exemplar da arquitectura romântica portuguesa.

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Palácio da Pena, minarete.

Ruínas e abandono em Detroit

Ruínas e abandono em Detroit

 

Cinquenta anos após se tornar o centro mundial da indústria automobilística, Detroit se encontra em um impressionante estado de abandono. Dois fotógrafos franceses criaram imagens da sua ruína.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, United Artists Theater.

Detroit era na década de 50 a quarta maior cidade de todos os Estados Unidos. Nas quarto décadas anteriores, a cidade havia experimentado momentos de grande crescimento,começando em 1913, quando Henry Ford completou sua primeira linha de produção automobilística. A metrópole, sede da Ford e da GM, atingiu então o seu auge e passou a ser chamada de o maior centro mundial da indústria automobilística, ou Motorcity.

Nos anos 50, eram 2 milhões de habitantes. Muitos se mudavam para Detroit em busca de emprego. Detroit se tornara um dos símbolos do sonho americano.

Mas as próximas décadas não seriam tão prósperas como as anteriores. As indústrias automobilísticas, principais geradoras de renda da cidade, passam a ter grandes concorrentes: os carros importados, principalmente provenientes do Japão. A boa qualidade associada a um menor valor de mercado gerou uma queda nas vendas dos carros da Ford e GM. E com a queda das vendas, a economia da Motorcity passou a enfrentar sérios problemas.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Vanity Ballroom.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, William Livingstone House.

A cidade entrou em decadência, até que em 1967 explodiram nela tensões sociais das maiores já vistas na América do Norte. 46 pessoas foram mortas em uma só semana. A classe média branca começou a deixar o centro em direção aos subúrbios. A desindustrialização e a segregação tomaram o lugar do crescimento.

O êxodo populacional acelerou, a vizinhança começou a desaparecer. Prédios no centro da cidade ficam completamente vazios. Cinco décadas após o auge, Detroit tinha perdido mais de metade de toda a sua população. E a cidade se tornou uma das metrópoles mais segregadas e mais violentas de todo os Estados Unidos. As estatísticas atribuem à Motorcity a maior taxa de homicídios dentre os sessenta maiores centros urbanos do país. Detroit também sofreu com a má distribuição de renda, tendo aproximadamente um quarto de sua população vivendo abaixo da linha de pobreza.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Christopher House.

Casas, lojas, escolas e todo tipo de edificação inteiramente abandonada e vazia se tornam, então, componentes corriqueiros do espaço urbano de Detroit.

Foi neste cenário que, em 2005, os fotógrafos franceses Yves Marchand e Romain Meffre desembarcaram na cidade. Até 2009, dedicaram um total de sete semanas a montar um acervo de fotografias que registrasse o estado de decadência da Motorcity.

Esse trabalho resultou no livro entitulado “The Ruins of Detroit”, publicado em 2010, composto de incríveis imagens do abandono da cidade.

"Parece que Detroit foi abandonada para morrer. Muitas vezes entrávamos em enormes edifícios de art déco, antigamente decorados com bonitos candelabros, colunas ornamentadas e frescos extraordinários, mas estava tudo a desfazer-se e coberto de pó, e o sentimento de que tínhamos entrado num mundo perdido era quase esmagador. De uma forma bastante real, Detroit é um mundo perdido - ou pelo menos uma cidade perdida onde a magnificência do passado é evidente em todo o lado", descreveu Marchland em entrevista ao The Guardian em janeiro de 2011.

As fotografias são registros que muito bem descrevem a glória e o custo destrutivo do capitalismo americano. Foi ali, no mesmo local que o sonho americano tanto cresceu, que tudo se transformou em pesadelo.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Michigan Central Station.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Highland Park Police Station.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Former Unitarian Church.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, East Methodist Church.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, HotelBallroom, Lee Plaza Hotel.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Biology Classroom, Willbur Wright High School.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Atrium Farwell Building.

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© Yves Marchand e Romain Meffre, Bagley Clifford Office of the National Bank of Detroit.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

As mulheres de Ikenaga Yasunari

 

Ikenaga Yasunari é um pintor japonês de 46 anos que utiliza telas de linho para realizar um trabalho fascinante. Ele consegue fazer a difícil junção entre tradição e modernidade através de pinturas envolventes que retratam toda a beleza e sensualidade femininas sem abandonar as milenares técnicas artísticas japonesas.

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© Ikenaga Yasunari

O que é mais interessante na obra de Ikenaga Yasunari é que ele resgata o estilo artístico das pinturas ancestrais japonesas através de temáticas modernas. Os princípios da estética artística japonesa, como o miyabi (elegância refinada), mono no aware (empatia em relação às coisas) e wabi-sabi (tranqüilidade e simplicidade), estão presentes em todas as suas obras. Mesmo utilizando as técnicas tradicionais da pintura japonesas, Yasunari compõe retratos de mulheres modernas, acrescentando toques sutis de sensualidade.

Suas mulheres preservam a beleza e a elegância presentes nas pinturas milenares japonesas feitas em rolos de papel ou seda, que tradicionalmente costumavam retratar motivos religiosos, relatar aventuras ou cenas do cotidiano.
O jogo de luz e sombras, a sobreposição de cores e as exatas noções de movimento e profundidade, são substituídos pelo traço simples e limpo, com o uso da aquarela em tons suaves. A delicadeza e a intensidade são elementos que conseguem coexistir em perfeita harmonia nas pinturas de Yasunari, o que acaba por conferir um aspecto mais moderno à sua obra.

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© Ikenaga Yasunari

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© Ikenaga Yasunari
Através de uma atmosfera onírica, construída a partir de motivos florais e de uma delicadeza intocável, Yasunari explora a sensualidade feminina de forma bastante peculiar. As expressões faciais e posturas marcantes das mulheres retratadas atraem o espectador e apelam para seus sentidos de forma despretensiosa, sem extravagâncias ou ousadias. Tudo parece ser minuciosamente dosado, a ponto de dificultar a identificação dos elementos que constituem tal sensualidade. O fato é que os fundos intensamente estampados e padronizados acabam por se perder na profundidade dos olhares, na delicadeza das expressões e na naturalidade dos movimentos das mulheres retratadas por Yasunari.

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© Ikenaga Yasunari

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© Ikenaga Yasunari

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© Ikenaga Yasunari

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© Ikenaga Yasunari

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© Ikenaga Yasunari

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2011/10/as_mulheres_de_ikenaga_yasunari.html#ixzz1b9NeYQD1

Loreena McKennitt e a música do tempo passado

 

 

A cantora canadense se tornou famosa para amantes de world music pelo seu timbre de voz, o uso de instrumentos poucos usuais. Loreena em cada trabalho realiza uma verdadeira pesquisa de campo assimilando em suas melodias instrumentos milenares e retomando canções de tempos passados. A música de Loreena é uma verdadeira viagem transcendental.

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© Donna Griffiths , Copyright Quinlan Road By courtesy of Karen Shook on behalf of Quinlan Road.

Loreena McKennitt nasceu na cidade de Morden no Canadá em 17 de fevereiro de 1957. De ascendência irlandesa e escocesa, a compositora, pianista e harpista soube misturar elementos do celta eclético e do estilo new age juntamente com instrumentos de origem medieval e de países do Oriente Médio e Ásia. Sua formação iniciou-se aos 10 anos em piano clássico e canto. Na década de 1970, Loreena já realizava pequenos shows em clubes de música e espetáculos musicais, chegando a trabalhar como cantora e atriz do Festival Shakesperiano do Canadá, em Ontário.

Seus trabalhos são lançados pela própria Loreena, através do selo Quilan Road, idealizado, custeado e administrado por ela mesma. A pequena produtora que só representa e divulga seu trabalho, foi idealizado pela artista como uma maneira de distribuir e expandir as fronteiras de sua música e manter a qualidade de suas obras.

Seu primeiro álbum Elemental, foi lançado em 1985, e atraiu atenção mundial para a cantora. Mas o sucesso veio em a versão de Bonny Portmore, música tema do filme Highlander III, as músicas de Loreena também estão presentes nas trilhas sonoras dos filmes Soldier, Jadie, The Mists of Avalon, The Santa Clause, o filme de Jean-Claude LauzonLéolo e a co-produção canadense/venezuelana Una Casa Con Vista Al Mar e a série televisiva Roar e o documentário Women And Spirituality.

Loreena McKennitt - Bonny Portmore (Galante Portmore)

Em Bonny Portmore, Loreena resgata uma antiga canção irlandesa do século XVIII com melodia do século XIX. A letra trata sobre o desmatamento da floresta de carvalhos próximo ao Castelo de Portmore, para a construção naval. A canção ainda trata da tristeza da queda do grande carvalho e na voz potente de McKennitt a música ganhou o mundo e tradições e a consciência do antigo povo irlandês.

Loreena McKennitt - All Souls Night (Toda Noite Almas)

All Nights Soul é uma das canções criadas pela própria Loreena e foi inspirada o imaginário de uma tradição japonesa que celebra as almas dos defuntos, que envia pequenos barcos com lanternas para os mares e lagos. A isso McKennitt soma a celebração celta da noite da alma onde grandes fogueiras eram acesas não apenas para marcar o ano novo, mas também para aquecer as almas dos defuntos.

Já The Lady of Shalott é a versão musical do poema homônimo de Lord Alfred Tennyson de 1843, uma balada vitoriana com temática referente as lendas do Rei Arthur. Assim como Cymbeline em que Loreena, transforma em música um poema presenta na peça homônima que Wiliam Shapespeare escreveu já no fim de seus dias.

Loreena McKennitt - Cymbeline

Em outros trabalhos é possível perceber que Loreena uniu elementos da música secular celta a cultura musical do oriente, ao introduzir o toque erudito e utilizar instrumentos tradicionais desses povos vistos como exóticos, somado a isso a voz inconfundível de McKennitt. Elementos que criam um mundo paralelo ou uma viagem ao passado.

Loreena Mckennitt - Huron 'Beltane' Fire Dance (Dança do Fogo)

Roger Waters The Wall Live 4 Show Edit (Remastered) 2010 HD

Linkin Park Live In Madrid 2010 - Full Concert

domingo, 9 de outubro de 2011

Amanda Knox

Dúvidas relativas às provas encontradas pela polícia no local do crime contribuiram para a absolvição de Amanda Knox

Dúvidas relativas às provas encontradas pela polícia no local do crime contribuiram para a absolvição de Amanda Knox

Era um sonho que há muito alimentava. Ir para Itália e passar um ano a estudar no estrangeiro, num país que considerava fascinante. Após ter cumprido o desejo antigo, de certo que Amanda Marie Knox nunca terá imaginado os contornos que assumiu a sua estadia em Perugia.
Nascida a 9 de julho de 1987 em Seattle, nos EUA, Amanda Knox era conhecida pelos familiares como uma rapariga determinada e aplicada nos estudos. Simpática, inteligente e perspicaz, a imagem pintada pelos conhecidos é a de alguém que só queria aproveitar da melhor forma a passagem por Itália.
Estudante da Universidade de Washington, Amanda Knox consegue entrar num programa de intercâmbio com a "Universidade para Estrangeiros de Perugia", uma instituição localizada no norte de Itália, numa cidade conhecida pela sua vida estudantil.
Para completar a imagem de sonho, Amanda consegue encontrar uma pequena moradia no topo da colina onde se situa a pitoresca cidade.
Uma das companheiras de quarto na habitação era Meredith Kearcher, estudante do Reino Unido que estava a completar um ano de estudos ao abrigo do programa Erasmus. E as duas tornarmm-se amigas.

Contradições nas declarações

A 25 de outubro de 2007, Amanda Knox vai com Meredith assistir a um concerto de música clássica onde conhece outro dos principais envolvidos no caso: Raffaele Sollecito. Pouco depois, os dois começaram uma relação amorosa e passaram a ser visitas habituais das casas de cada um.
Não muitos dias passados, a 1 de novembro, ocorreram os terríveis acontecimentos que desencadearam o longo processo judicial nos quatro anos seguintes. Meredith Kearcher foi encontrada seminua, debaixo de um edredão, numa poça de sangue com a garganta cortada. Foi Amanda Knox quem fez a denúncia da ocorrência à polícia.
Cedo Amanda e Raffaele se tornaram suspeitos da morte da estudante britânica. Os dois afirmaram ter passado a noite em casa de Raffaelle, mas as aparentes contradições nos seus depoimentos colocaram ambos no radar das autoridades.
Às 23h de 5 de novembro, Amanda Knox é levada para a esquadra, onde após 14 horas de interrogatório acusa o seu patrão num bar onde trabalhava, Patrick Lumumba, de ter sido o autor do crime e admite "parcialmente" ter estado na casa. No dia seguinte, Amanda é detida.
A jovem norte-americana viria mais tarde a negar a declaração, acusando as autoridades de lhe terem feito um interrogatório ininterrupto, sem comida, sem tradutor para o italiano e sem gravarem as declarações.

"Jogo sexual"

Quase duas semanas depois, a polícia prende Rudy Guede, um italiano de origem costa-marfinense, cujo ADN foi encontrado no corpo de Meredith e em muitas das roupas da estudante.
As autoridades afirmaram ainda ter encontrado um pedaço do ADN de Raffaele Sollecito no sutiã de Meredith e marcas de Amanda Knox no cabo de uma faca e da estudante britânica na lâmina. A polícia revelou ainda ter encontrado pegadas no quarto que se assemelhavam às de Amanda. Contudo, não foram encontradas provas específicas da presença da norte-americana no quarto de Meredith Kercher.
As dúvidas relativamente às provas encontradas e os métodos utilizados pela polícia foram uma das principais bases para o recurso que resultou na absolvição de Amanda e Raffaele.
Enquanto Rudy Guede foi prontamente condenado a uma pena de prisão pelo assassínio de Meredith Kercher, o julgamento de Amanda Knox e Raffaele Sollecito foi mais longo e começou a 16 de janeiro de 2009. A acusação avançou com diversas explicações para o que se terá passado naquela noite tendo-se, finalmente, focado na hipótese de um "jogo sexual" em que Meredith Kercher recusou participar.
Então, enquanto Rudy Guede e Raffaele Sollecito agarravam Meredith Kercher, esta teria sido esfaqueada por Amanda Knox.

Libertação polémica

A 4 de dezembro de 2009, Amanda e Raffaele foram condenados a 26 e a 25 aos de prisão, uma pena que gerou enorme controvérsia internacional.
Os dois recorreram da decisão em abril de 2010 e baseando o recurso em opiniões de especialistas italianos que criticaram duramente as provas recolhidas pela polícia, acusando as autoridades de não cumprir as normas internacionais, o casal foi absolvido de todas as acusações e libertado após quatro anos de luta judicial.
Porém, a polémica quanto ao caso está longe de estar terminada.

Veja o vídeo posterior à condenação de Amanda Knox, em dezembro de 2009:

http://http://www.youtube.com/watch?v=48RNhSnwHJc

domingo, 2 de outubro de 2011

Separação

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Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.
Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de secionar aqueles das mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se multo longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela.
Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde…

Vinícius de Moraes

sábado, 1 de outubro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vencer o Medo

 

 

 

 

Vencer o Medo

Parecemos estar hoje animados quase exclusivamente pelo medo. Receamos até aquilo que é bom, aquilo que é saudável, aquilo que é alegre. E o que é o herói? Antes de mais, alguém que venceu os seus medos. É possível ser-se herói em qualquer campo; nunca deixamos de reconhecer um herói quando este aparece. A sua virtude singular é o facto de ele ser um só com a vida, um só consigo próprio. Tendo deixado de duvidar e de interrogar, acelera o curso e o ritmo da vida. O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida. E claro que não detém nada, a menos que se detenha a si próprio. A vida continua sempre a avançar, quer nos portemos como cobardes, quer nos portemos como heróis. A vida não impõe outra disciplina - se ao menos o soubéssemos compreender! - para além de a aceitarmos tal como é. Tudo aquilo a que fechamos os olhos, tudo aquilo de que fugimos, tudo aquilo que negamos, denegrimos ou desprezamos, acaba por contribuir para nos derrotar. O que nos parece sórdido, doloroso, mau, poderá tornar-se numa fonte de beleza, alegria e força, se o enfrentarmos com largueza de espírito. Todos os momentos são momentos de ouro para os que têm a capacidade de os ver como tais. A vida é agora, são todos os momentos, mesmo que o mundo esteja cheio de morte. A morte só triunfa ao serviço da vida.

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Marginalização da Musica Caipira

Sentando em seu banquinho de madeira, um homem, mascando fumo e dedilhando uma velha viola, compõe canções enquanto o sol se põe no horizonte. Essa seria uma boa cena para descrever romanticamente um caipira compondo canções sobre sua rotina na roça. Mas a moda de viola, ou a chamada música de raiz, já não canta mais as imagens do verdadeiro cotidiano caipira. Hoje, só traduz dores de amor.

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Cenas do cotidiano no interior, descrições simplistas da vida de homens e mulheres rudes, que ainda não foram mudados pela expansão das cidades e do capitalismo. O culto a uma vida sem luxos, em que a subsistência vem da força das mãos e do conhecimento do tempo. Era disso que tratavam as modas de viola, que surgiram a partir dos anos 1920. Falava-se sobre como viver da terra. Hoje, o termo caipira foi generalizado, se tornando uma figura representada por esterótipos. O sotaque caipira e seu “falar errado” não é propositado. É um dialeto criado para uma comunicação própria entre comunidades que conhecem as horas apenas por observar a movimentação do sol, que têm um chá para todo tipo de doença e uma simpatia para qualquer mal.

A moda de viola é uma expressão da música caipira. Uma união de influências dos europeus, índios e africanos. Um estilo de música que conta fatos históricos da vida de quem vive no campo. Causos da região rural faziam parte das letras de Cornélio Pires, compositor que começou a gravar em 1929 o que hoje chamamos de música sertaneja.

A viola, símbolo e instrumento desse ritmo tão peculiar, trazia em suas cordas o poder de traduzir as tristezas, alegrias, dores e belezas da cultura caipira. Uma brava representante de uma parte da nossa brasilidade. A companheira do peito dos compositores que sabiam cantar sobre esse universo tão distinto.

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As letras quase sempre evocavam o bucolismo e o romantismo das paisagens, da cultura caipira, do homem interiorano, fazendo assim uma oposição ao homem que prosperava na cidade grande. O gênero que ainda trata desses mesmos aspectos hoje é conhecido como música de raiz, bem diferente da proposta utilizada pelos cantores que se intitulam sertanejos, com suas letras sobre dores de amor e tão somente isso. Exemplos de verdadeiros sertanejos, que cantavam uma temática muito ligada à realidade cotidiana são as duplas Mandi e Sorocabinha e Laureano e Soares.

A música de raiz pode ser historicamente dividida em três fases: de 1929 a 1944, como música caipira ou de raiz, na qual os cantores falavam do universo sertanejo de uma forma épica e muitas vezes satírica, mas quase nunca de uma forma amorosa. Destacam-se nesse período: Tonico e Tinoco e Pena Branca e Xavantinho.

Do pós-guerra até aos anos 60 há uma fase de transição, quando novos instrumentos passaram a fazer companhia à viola, como a harpa e o acordeão. Aqui a temática começou a ganhar um tom mais amoroso, mantendo, porém, seu caráter autobiográfico. Tião Carreiro, Cascatinha e Inhanha e as Irmãs Galvão foram representantes dessa fase.

Do final dos anos 60 até hoje ficamos com a música sertaneja romântica, que até há alguns anos atrás era representada por duplas como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano. Hoje, existe um número grande de duplas e cantores a solo que se intitulam caipiras, mas que há muito fugiram da original proposta da moda de viola. Como bem disse o jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, “muita coisa de mau gosto foi produzida, gerando também uma vertente brega ou expressões conhecidas como dor de cotovelo, normalmente associadas ao que veio ser chamada música sertaneja. Surpreendentemente, esta nova vertente fez muito sucesso, às vezes a ponto de ofuscar a música caipira de raiz de conteúdo e sensibilidade admiráveis”.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cecília Meireles

EPIGRAMA N°5
Gosto da gota d'água que se equilibra
na folha rasa, tremendo ao vento.
Todo o universo, no oceano do ar, secreto vibra:
e ela resiste, no isolamento.
Seu cristal simples reprime a forma, no instante incerto:
pronto a cair, pronto a ficar - límpido e exato.
E a folha é um pequeno deserto
para a imensidade do ato.
Cecília Meireles

EPIGRAMA N°5
Gosto da gota d'água que se equilibra
na folha rasa, tremendo ao vento.
Todo o universo, no oceano do ar, secreto vibra:
e ela resiste, no isolamento.
Seu cristal simples reprime a forma, no instante incerto:
pronto a cair, pronto a ficar - límpido e exato.
E a folha é um pequeno deserto
para a imensidade do ato.
Cecília Meireles

-Helena Frontini-



Chuva de lágrimas

 

Todas as águas acabam misturadas:

Rios, cachoeiras, suores, chuvas, orvalhos,

Cascatas, riachos, mares e tantas lágrimas.

Evaporadas, em busca de seu espaço

Dormem à espera da tempestade.

Hoje, em que a tristeza aperta como laço,

Abrem-se como flores encharcadas

Derramando nostalgia em minha alma.

Rompem os céus ante olhos sem bondade

Chorando em mim fontes de mágoas.

-Helena Frontini-

Andre Rieu